Um pequeno gesto de amor;

Estávamos sentados sob as árvores verdejantes naquele luar encoberto às nossas costas. Eu alisava o pequeno sapo recém-ganho enquanto murmurava palavras desconexas. Escondiámos nossas mãos, dadas, para não despertarmos repulsa.

“Acho que foi Lispector quem disse que a vida é uma sucessão de momentos tristes, onde os intervalos alegres são o que conferem à ela um sentido.”

O sapo exalava o odor agradável do perfume que lhe pertencia. Pi, da Givenchy.

“Você não se importa com o fato de eu gostar de meninas e meninos?”

“Eu não acredito em bissexualidade.”

“Trate de começar a acreditar, então.”

Risos. O sapo era alisado com cuidado.

“Mas você me ama. E eu sou menino. Você deve ter um preferido.”

“Não tenho. E eu não o amo porque você é menino. Você podia ser menina, menino. Mas eu o amo porque você é você.”

Silêncio. Continuo.

“Profundo isso, né? Deveríamos anotar.”

“Deveríamos mesmo. Eu te amo taaaaanto!”

“Eu também te amo.”

Um selinho.

Para não despertar repulsa.

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