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Eu li: Impacto Fulminante

Bonsoir, meus queridos! Como vão vocês? Hoje vamos falar de – tchãtchãtchã – literatura nacional!

O escolhido dessa vez é Impacto Fulminante, que você pode conferir no Skoob aqui! Enfim, todavia, entretanto… vamos ver a sinopse da obra da minha amiga Valentine Cirano.

Uma ordem secreta da antiga Babilônia ainda poderia espalhar medo ou terror aos habitantes da Terra? Haveria um meio de resgatar os poderes do antigo deus babilônico pelos membros remanescentes dessa ordem e, de posse dos mesmos, levarem pânico e destruição aos quatro cantos do planeta? O assassinato brutal do artista plástico Gregory Andersen, leva Richard Brown e Suzan Antonelli, historiadores britânicos convocados pela policia de Londres, a identificar o significado de estranhos caracteres e pistas deixados pela vítima, pintados com seu próprio sangue numa toalha segundos antes de sua morte. As marcas deixadas por Gregory e um estranho quadro por ele pintado, levam Richard e Suzan a uma aventura frenética em busca do legendário tesouro de Dario, portador dos terríveis poderes das trevas dos deuses pagãos. Perseguições implacáveis, conduzidas por um assassino cruel e sanguinário fazem com que a aventura se torne um jogo mortal, onde Suzan e Richard precisam lutar pela própria sobrevivencia. Os membros da ordem secreta buscam desesperadamente resgatar os poderes ocultos para a conquista planetária, criando um exército imbatível, capaz de fazer com que todas as forças terrenas se curvem diante dos poderes das trevas. Seria possivel impedir essa catástrofe que dizimaria os habitantes do planeta? Onde se encontra a espada utilizada pelo rei Dario e que supostamente continha a chave para trazer novamente a terra os poderes ocultos da antiga Babilônia? Cada nova página do Impacto Fulminante oferece esse desafio, da eterna luta entre o bem e o mal, para atiçar a curiosidade do leitor.

Chamem de seachismo, arrogância ou o que quiser, mas simplesmente não consigo conceber um livro milenar com uma história absurdamente intrincada que… tem passagens pelo Brasil!

Eu amo a minha terra e tenho orgulho de morar aqui, senhores ufanistas de plantão, mas, ao ler o livro de Valentine, percebi o quanto a autora se esforçou para finalmente colocar o pé na porta da literatura nacional. A obra, como propõe a sinopse, tem um enredo firme e consistente, mas que, cá entre nós, lembra um pouco o Código Da Vinci, né não? 

Enfim, a história foi um dos pontos fortes que me atraiu ao longo das muitas páginas de Impacto Fulminante. No entanto, tenho uma crítica a fazer: a autora faz uso de expressões rascadas, cotidianas, para se mostrar enquanto literata tupiniquim. O uso de aspas para definir o diálogo de um taxista com dois dos personagens foi, no mínimo, doloroso aos olhos.

Valentine tem um diamante nas mãos, mas, que, invariavelmente, precisa ser lapidado. O uso de códigos genéricos para tentar exemplificar à exaustão a rotina de corrida dos protagonistas não funcionou. Certos momentos interrompi a leitura para me lembrar se lia um relatório ou… um livro!

Mas é um livro que pretendo ler de novo, para tentar captar toda a essência do que a autora quis dizer nessa história fantástica que… falhou.

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Se falássemos Inglês…

Bonjour, meus queridos!

Como está indo o final de férias de vocês? O meu, simplesmente cansativo. Não consigo parar! Vocês já acessaram o site da Chiq Acessórios, meu mais novo empreendimento? Confiram lá!

Mas não é sobre isso que viemos falar, não é, gente?

Hoje vamos falar do poder de cantar e não entender a música. 

Vocês devem estar se perguntando qual o motivo da foto da Letícia Sabatella aí, mas já respondo. Vamos do princípio.

A grande maioria da nação brasileira, para não dizer a o Brasil inteiro, tem a mania de achar que o que vem de fora é melhor. Isso não é de hoje e não vai mudar amanhã. Que novidade! Mas há vezes em que essa suposta superioridade ariana europeia e norte-americana gera situações… conflitantes e muito engraçadas.

Agora mesmo, estou escrevendo esse post e ouvindo I’m Sexy and I know it, mas até aí, nada demais, afinal, gosto não se discute. O problema é quando o gosto dos outros quer ser imposto à nós subliminarmente. Em novelas, reportagens e, adivinhem só, até campanhas publicitárias em cidades do interior do interior (também conhecidas como Céu Azul, um beijo).

Não sei a porcentagem do povo brasileiro que fala inglês, mas sei que eu falo e muitos dos meus amigos também. E se aproveitando dessa lacuna anglo-saxã em nossa linguagem cotidiana, as novelas – principalmente globais – tentam explorar as músicas importadas num contexto completamente… diferente.

Agora surge a foto da Yvone, interpretada por Sabatella, lá em cima (é junto ou separado?). Caminho das Índias foi uma das poucas novelas que verdadeiramente acompanhei, por uma série de motivos. Quando conheci a personagem de Letícia, foi amor à primeira vista. Sim, eu sei que não é natural um garoto de dezoito anos ser fissurado em mulheres que sabem combinar regatas e saias de cós alto. Mas vamos ao que interessa.

Toda vez que Yvone entrava em cena, o que acontecia? Isso aqui, ó:

Agora eu me pergunto: o que uma música sobre uma A-U-R-É-O-L-A tem a ver com uma mulher que era praticamente o capeta encarnado?

Mas não, não termina aí. Prestem atenção em todo vilão de nova das oito. Das sete, pode ser. Céus, o que acontece com cúpula dessas novelas? Será que os sonoplastas ouvem a música e pensam: Olha, ritmo bonitinho, a gente podia colocar naquela cena em que a vilã dá um tiro na cabeça da mocinha. 

Me expliquem, quero entender. Acho que agora estão tentando se redimir, colocando uma música decente para essas novas vilãs. Pelo que soube, a atual tem uma música que condiz com o seu comportamento transviado.

Mas, céus, pelo amor, eu peço encarecidamente que a próxima vez que forem colocar uma música em inglês em jingles e afins, conheçam a letra. Porque se não, vocês vão passar por uma situação super incômoda que acontece aqui na cidade e só eu percebo: uma loja de roupas anuncia descontos maravilhosos, falando sobre suas marcas e tudo mais. No final da propaganda, que música toca?

The stong understand.

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O dilema de “Mulheres Ricas”

Comprar um avião é igual comprar uma blusa, hello!

A televisão brasileira tem dado saltos consideráveis em sua programação, sendo esta afirmação inválida apenas no que tange às atrações dominicais. E a mais nova forma de entretenimento foi lançada na última semana pela Band, o programa Mulheres Ricas.

Retratando o cotidiano de algumas senhoras da alta-sociedade brasileira, o programa mostra seus gastos, seus luxos (como dar água mineral francesa para  um cachorrinho maltês), mas, principalmente, sua diferenciação da maior parte de nossa sociedade tupiniquim.

Estive checando o site do programa (além dos comentários em vídeos do YouTube, uma vez que perdi a estreia) e me surpreendi com a completa ignorância da maior parte destes comentários. Os usuários ofendiam a emissora (e as participantes, cumpre ressaltar) por exibir um programa deste tipo, quando crianças carentes padeciam de fome numa rua ao lado da que Val Marchiori (hello!) fazia compras.

E então eu me toquei o que T. Harv Eker ensinou tão brilhantemente em sua obra, Os Segredos da Mente Milionária: 

Pessoas têm a noção pré-concebida de que ricos são maus, de que enriqueceram graças ao trabalho de outras pessoas.

Li o livro há mais de três anos, e esta não é uma citação ipsis literis, mas se amolda perfeitamente ao contexto. A verdade é que, sim, muitas crianças passam fome logo ao lado da Oscar Freire, e muitos vendedores de picolé ainda passam pela frente do Copacabana Palace. Mas isso não desmerece o contexto do programa de maneira alguma.

Nos é televisionado diariamente (sim, diariamente!) a maneira como nossos pequeninos não vão à escola, como nossos avós não conseguem se aposentar e também como alguém tem de sobreviver com esgoto à céu aberto. Mas para isto, basta assistirmos Jornal Nacional, ou qualquer outro. Até mesmo um da Band vale. Mas nada disso parece estar impulsionando pessoas a irem às ruas ajudar essas crianças, idosos ou adultos.

A exibição de um programa que mostra a rotina de uma joalheira, uma arquiteta, uma apresentadora de TV, uma herdeira do petróleo e uma motorista de Fórmula Truck não desmerece (ou diminui) em nada o mérito do programa.

Enquanto isso, todos nós perdemos a oportunidade de lançar um olhar antropólogo-sociológico neste nicho crescente dos milionários (ou bi, em alguns casos). Quisera eu que os brasileiros parassem de observar a riqueza das participantes – inegavelmente inspiradas no norte-americano The Real Housewives – como um fator maléfico da atração enlatada, e passassem a ver o show de maneira a tentar compreender um mundo que, ainda que esteja logo ao lado, é completamente diferente do seu.

Pouco dinheiro não desfaz caráter, assim como muito não desconstrói personalidade. Passemos a ver o dinheiro com bons olhos, sem que a sua acumulação excessiva queira dizer, necessariamente, que o favelado só mora na favela porque o rico é rico. Não é à toa que todo vilão de novela global é rico: as noções brasileiras de dinheiro sendo irremediáveis quanto à personalidade da pessoa que o possui.

Toda forma de discriminação é estúpida. Não sou milionário, e estou longe de sê-lo (mas serei, se Deus quiser!), contudo, diminuir alguém por possuir uma conta bancária polpuda é tão ignorante quanto um rico acreditar que todo pobre vive de vender geladinho.

Agora, façamos o favor de ver o programa sob um espectro saudável da curiosidade, acompanhando a transformação da casa de Débora (pintada numa cor absolutamente tenebrosa) e todos os outros desenrolares deste que tem tudo para ser um dos mais cômicos reality shows já exibidos em nossas TVs.

Como diria Val (insuportável em sua maneira de misturar a língua anglo-saxã com a nossa latina): Hello, Brazil!

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Eu li: Para Sempre Ana

 

Na mística Três Luzes, o leitor percorre inicialmente três momentos afastados no tempo, onde três homens, de três gerações da família Rigotti, experimentam situações-limite pela influência de uma mesma mulher: Ana. A partir daí, a narrativa o leva a uma instigante viagem, nem sempre linear, entre meados do século XX e o início do XXI, na qual os dramas, o passado, o verdadeiro caráter e os segredos de cada personagem são pouco a pouco desnudados. A trama é conduzida pela busca de Ana e pela busca por Ana, forasteira misteriosa que abala os triluzianos e cuja trajetória se funde à dos demais em uma história carregada de luzes e sombras. A busca de Ana arrebata as emoções; a busca por Ana arrebata os sentidos. E ambas surpreendem. Sempre que tudo parece esclarecido, detalhes antes considerados sem importância provocam uma reviravolta geral na história. Até o último capítulo. Descubra se os mais atordoantes segredos de Três Luzes estão mesmo nos céus ou no fundo da alma de seus moradores.

Eu sei! Que livro complexo! Comecei a leitura de Para Sempre Ana, do querido (e advogado!) Sérgio Carmach, pronto para mergulhar em turbilhões emocionais dignos das melhores obras de escritores intimistas. Já havia lido algumas resenhas, e sabia que não iria me decepcionar, até que…

Além de não me decepcionar, me surpreendi. E muito.

O livro é uma daquelas estórias que, ao seu término, faz você se perguntar por que diabos a literatura brasileira não é tão louvada quanto à norte-americana, europeia ou marciana. Personagens bem construídos ditam o tom desta história ágil e cheia de curvas acentuadas que, invariavelmente, conduzem ao âmago do próprio leitor.

Conforme a sinopse acima demonstrou, Carmach constrói aqui uma base de bons personagens que são facilmente identificáveis com tudo o que conhecemos, ainda que estejam repletos daquele tom de “inedito” que somente uma boa obra é capaz de prover.

Termino a resenha com a vontade de que mais e mais pessoas deem a chance a este livro que, sem dúvidas, ficará atado a muitas cabeceiras tupiniquins (e internacionais, prevejo). Vale cada centavo que por ele for pago, bem como as deliciosas conversas que surgirão com amigos que, assim como nós, se apaixonarão pela obra.

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Eu li: A Insígnia de Claymor

Céus, tinha de ter postado essa resenha há dois dias, mas a minha internet recém-ressuscitada não permitiu.

Mas vamos ao que interessa!

Bom, para vocês que estão assustados com o volume de livros que estão sendo resenhados ultimamente (geralmente há posts pessoais, filmes e séries, eu sei, mas prometo algo bom em breve!), a justificativa é que estou participando de um maravilhoso círculo de leitura, com vários amigos!

Mas vamos lá, vamos falar de A Insígnia de Claymor

Europa, Idade Média Jehanie Claymor é uma jovem Lady que cresceu protegida pelo amor incestuoso do irmão Alexei. Sem conhecer os perigos e maldades da época, ela foi mimada e amada ao extremo. Mas, em uma viagem em que abandona o castelo de seu pai para ir de encontro ao seu noivo Garreth, vê todas as suas ilusões românticas chegando ao fim. Sir Daniel Trent só busca vingança. Sua irmã mais jovem foi seduzida pelo cavaleiro Alexei Claymor, e abandonada por ele após engravidar. Sem esperança, a jovem matou-se, deixando Trent com a incumbência de limpar sua honra. No entanto, seu destino muda completamente ao encontrar uma jovem que perdeu a memória. …E assim, sem saber, ele acaba se apaixonando pela irmã de seu maior inimigo…

UAU, eu sei. Também estava superansioso quando vi essa sinopse, e li o livro em poucos dias.

O livro começa já nessa Europa medieval, ainda que um salto de poucos anos seja dado nos primeiros capítulos, com a mãe de Claymor morrendo no parto. Como leitor chato que sou, acostumado com os diálogos medievais graças às toneladas de livros de História que sou acostumado a ler, percebi uma coisa que me incomodou um pouco. A autora, a nossa querida Josiane Veiga, pecou um pouco na ambientação dos diálogos. Às vezes eu parava, ficava encarando aqueles travessões e percebendo como algumas frases poderiam ser modificadas para fazer o livro ficar mais… homogêneo.

A história criada pela Josiane é forte e cativante. Esse relacionamento incestuoso entre Alexei e a irmã é um mote pouco explorado pelos autores. Talvez pela complexidade psicológica ou pelo impacto do tema, o fato é que esse incesto irmão-irmã foi algo muito bem escolhido pela autora, que desenvolveu toda a história com bom senso.

O livro não sofre aquelas reviravoltas chatas que fazem você querer largar o livro por ter sido enganado desde o começo. Na verdade, os primeiros capítulos já demonstram a que vieram os personagens, bem construídos desde o início da trama.

Minha única crítica, seria, em verdade, a necessidade de uma maior revisão historiográfica nessa obra que tem tudo para conquistar os jovens. Diálogos mais intrincados e bem construídos mudariam muito o tom da narrativa deste marcante livro, escrito por uma autora que está em visível amadurecimento literário.

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Cartas Dinamarquesas

O sol nesta parte do globo era tão intenso que fazia minha cabeça doer de forma incessante. Cada evoluir das ondas de calor me maculava, meus passos fracos transpassando a calçada enquanto caminhava para a casa dos familiares.  Mal podia acreditar que aquele verão intenso estava acontecendo ali, no sul do Brasil.

O portão branco bateu atrás de mim, os cachorros uivando baixo enquanto os deixava sozinhos no quintal espaçoso. A distância era pequena, e pés de manga e limoeiros me fariam sombra naquele dia anormalmente quente. Mas antes, aquela buzina comum apitando atrás de mim.

“Hoje tem carta, Diogo!” , avisou o carteiro, descendo da motocicleta e percebendo que estava prestes a sair de casa.

Sorri, assinando o protocolo e recebendo o envelope esbranquiçado.

Li o remetente enquanto me despedia do homem, insuportavelmente vestido de amarelo naquelas férias desejadas.

Pedro Henrique E.
Copenhague, Dinamarca

Dinamarca?!, pensei. Abri o envelope, passando pelo postal enquanto puxava a folha artificialmente amarelada.

Hej!

Prometi que enviaria a carta há alguns meses, eu sei. Me desculpe desde já. As coisas não têm sido fáceis!

Bem, como você está?! Espero que bem! Aqui está um frio insuportável, ainda que a neve combine bastante com os enfeites natalinos.

E… espero que você me perdoe.

Perdão. Era tudo isso ao que se resumia ao sentido daquela carta. Meus olhos estagnaram, incapazes de prosseguir a leitura. O perdão se resume na aceitação de fatos que não dependeram da vontade de quem nos magoou, e eu não tinha certeza se isto fora o que acontecera com Pedro.

Amassei o papel, contornando meus valores ao jogar a folha na rua. Calmamente voltei para dentro de casa, ligando o ar condicionado e desistindo de sair de casa pelas próximas 24 horas.

Era absurdo a forma como poucas palavras eram capazes de destruir o que fora construído durante um dia inteiro, talvez até uma semana, dado o início das férias.

E, esquecendo-me do postal, somente lembrei do papel quando já estava jogado sobre o sofá, assistindo um programa na TV.

Observei a paisagem dinamarquesa, Copenhague se perdendo enquanto rasgava o papel, bem como o Eu Amo Você impresso no verso, que irremediavelmente se tornou um conjunto indissolúvel e incompreensível de letras miúdas que, no fundo, eu sempre quis voltar a ler.

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Eu li: Nas Trevas e na Luz – Volume I

Nas trevas e na luz

Antes de mais nada, gostaria de revelar que esta resenha tem tudo para ser imparcial, uma vez que, como vocês devem saber, o livro da Gisele não é minha leitura rotineira.

Mas é quebrando a zona de conforto que o homem se torna sábio, então, lá vamos nós…

Que tal darmos uma olhadinha na minisinopse do livro da Gisele?

O que você faria se descobrisse ser capaz de decidir o futuro de toda humanidade? Teria coragem de enfrentar as consequências de suas decisões ou tentaria fugir de seu destino? Sara percebeu estar nesse dilema quando tirou de seu repouso uma bela e misteriosa espada. Uma benção de luz e uma passagem para as trevas.

Uau, eu sei. Livros apocalípticos nunca foram meus queridos (apesar que Cultivados tenha me surpreendido muito e começado a gostar do gênero), mas a obra da Gisele estava me entusiasmando.

O livro começa já nesse fim de mundo bem estabelecido, com a protagonista acordando ao lado de sua espada. Um corte ligeiramente brusco e o grupo de amigos de Sara, seus pais e tudo mais é revelado antes desse Armagedom. Uma viagem secreta (leia-se: escondida dos pais dela) e o livro tem início efetivamente.

Mas não quero me ater necessariamente ao conteúdo do livro, mas sim à sua escrita. Gisele tem qualidades indescritíveis enquanto escritora, principalmente pela simplicidade com que seus textos são escritos, e não há dúvidas que essa querida escritora tem tudo para cativar o público mais jovem.

Contudo, como o livro foi escrito há um certo tempo (em 2003, segundo me revelou a própria autora), Gisele ainda pecava em erros pequenos. Os mesmos erros que eu cometia em minhas obras iniciais, vale dizer.

O excesso de frases em um sentido conotativo faz o livro perder (um pouquinho, prometo) o encanto. Às vezes, você acredita que está lendo apenas um relato, e não um livro tão legal. Mas é algo que Gisele corrigiu no segundo volume, tenho certeza (e vontade de ler!).

Mas a obra é uma preciosidade para todos que efetivamente gostam deste gênero, e não só são um fã poser frustrado por ter medo do Evangelho de São João HAHAHAHAHA!

Parabenizo à Gisele pela obra e peço para que todos deem uma passadinha lá no Skoob do livro!

Beijo, beijo, beijo galerinha bonita!

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Vermelho

Poucas coisas podem ser tão frustrantes quanto a incapacidade de fazer alguém que nos faz bem parar de chorar. Por motivos diversos, ela sofre. Por um motivo comum, não conseguimos fazê-la sorrir.

À cada lágrima, um motivo despenca por suas bochechas e uma lasca de tristeza rompe na forma de um soluço. Seus cabelos vermelhos são inalcançáveis neste momento, e isso lhe dói profundamente.

Seus olhos estão vermelhos, seus cabelos, lindos, agora ruivos e bagunçados. Dentro daquele amor em forma de pessoa, um coração tão vermelho quanto o sol no poente bate sem parar. Por esta pessoa, e apenas por ela, você é capaz de escolher vermelho como sua nova cor favorita.

A distância que separa meus lábios de sua testa me corrói, impotência e a vontade de acariciá-lo expelindo tristeza pouco a pouco de meus poros.

A fantasia de um palhaço, a mais cômica das piadas, o mais divertido filme de comédia. Nada é capaz de fazê-lo rir. E nada será. Até um determinado momento.

Até o momento em que o dono daqueles cabelos e olhos vermelhos de tanto chorar perceber que você está de braços abertos, ouvindo uma melodia qualquer e pensando nele durante todo o transcorrer de um dia, que para você, é apenas mais um dia longe de quem você daria tudo para estar perto.

Deixe-me fazê-lo feliz. 

Eu darei meu melhor.

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Jovens me frustram

Poucas coisas me entristecem. Um jovem que afirma abertamente que não lê é uma destas coisas.

Hoje, não ler é normal. Quase um orgulho. Ah, não gosto de ler! 

Qual o sentido disto?

Não me refiro à livros espessos, revistas de alto teor científico ou à artigos premiados com um Pulitzer. Me refiro a ler pelo simples prazer de querer saber um pouco mais.

Parecemos gostar de sermos mandados, apenas para podermos nos revoltarmos! Todos sabemos que você e seus pais não se dão bem. Todos nós sabemos que você vai fugir de casa quando completar 18 anos. Todos sabemos que você será um grande astro do rock, ou um varredor de rua que vai viver estupendamente feliz com um salário mínimo por mês.

Uma má notícia: de astros do rock à garis, os melhores são os que melhor fazem seu serviço de forma completa e com paixão pelo que fazem. Você está encarando isso como opção, eles veem isso como estilo de vida.

Não se contente com o pouco. Queira saber um pouco mais.

Você é o que você conhece.

Você conhece pouco, você é substituível.

Você sabe muito, é imortal.

Se canse de saber tão pouco. Encare a vida com a maturidade que em algum lugar você tem. Ser revoltado é muito fácil. Seja apenas bom, gentil.

Bons gestos são como conhecimento.

Perpétuos.

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Pontos coloridos

Há cinza até mesmo nos sonhos mais lindos, nos sonhos mais sonhados. Há cinza até mesmo em redundâncias perdoáveis, em sentenças anteriores.

Não considero-me poeta; ou talvez o faça. Se críticos não entendiam à Lispector, quem me julgo ser para pedir por compreensão? Escrevo para almas que vagam em busca de sentidos que apenas almas alheias sabem transcrever. Forço o geóide multicolorido a girar de acordo com meus ditames.

Felicidade é direito, não obrigação. Todos temos a chance de tomar café frio, leite azedo e vergonha na cara. Poucos são os que fazem destes momentos, memoráveis.

Não busque compreender as simples palavras deste mortal abstratista. Escrevo para apenas uma pessoa que não eu mesmo. Corpos reconhecem letras, desejos percebem frases, mas apenas almas compreendem o sentido da verdadeira poesia.

Sonhos são como pontos coloridos no meio do veludo pobre e frio. São balões de todas as espécies que nos alçam para muito além da simples ignorância e do mero desejo de continuar vagando por aqui. A solidão é ambígua; permanecemos sozinhos para o simples aprendizado ou meramente por desgosto e descaso.

E assim, vivemos. Apagando pontas cinzas do Marlboro alheio, recolhendo latinhas, ajudando velhinhos em asilos que juramos jamais colocar nossos pais. A insensibilidade alheia movimenta o coração de almas bondosas.

Diga adeus aos pontos cinzas. Concentre-se na oração, no pedido, na diferença.

Todos somos capazes de ser felizes, mas raros são aqueles que estão dispostos a buscar, efetivamente, a alegria.

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