Arquivo mensal: março 2011

Ela dorme…

Ela dorme sob a epígrafe de um parágrafo, sob um copo de sorriso ou um metro e meio de abraço.

Ela dorme, dorme, dorme… E sonha com princesas que jamais lhe alcançarão. O teto é estrelado, o chão, rachado. Mas ela dorme, dorme, dorme.

Não faço poesia enquanto lhe olho. Apenas a sinto. Seu cabelo ondulado esvoaçando levemente ao expirar silencioso de seu nariz arrebitado. E ela dorme, dorme… Dorme sobre meus braços, acalantada por um pouco de lençol com alguns amassos.

E eu a observo, silencioso, com o sol nascendo lentamente. A cortina vazada, a janela transparente como só a alma sabe ser. E ela repousa, calma, silenciosa e perfeitamente. Seu sorriso se desmancha, mas, em algum lugar, ainda está lá. O mundo para e espera por alguns instantes.

Ela dorme, o lençol de algodão circundando a perfeita criação. Há sol preguiçoso, um suspiro vagaroso.

E, lentamente, a poeira esvoaça. Liberta, preguiçosa, ciumenta.

E eu a amo.

Ela acorda.

Olha para mim, sorri.

Eu a amo.

E ela dorme, dorme, dorme…

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Quero meu cérebro de volta!

Época de carnaval. Feriadão!

Para quem gosta de festar, é o paraíso. Para quem gosta de ficar em casa curtindo a solidão, é um paraíso maior ainda.

O que importa mesmo é curtir com responsabilidade. Mas vamos falar de um mal que é exponencialmente aumentado nessa época do ano.

Não, não são acidentes de carro nem gravidez indesejada.

É o furto. De cérebros.

Céus, o que acontece com o país nesses três dias? São músicas que têm no máximo duas, três, quatro palavras. Exemplos? Com a maior alegria! (não!)

Sério. Onde se escondem as boas músicas? Onde estão as letras decentes? Onde está o cérebro do povo brasileiro?

Pior é aquele povo que diz: se não gosta por que ouve?!

Respondo: PORQUE SOU OBRIGADO!

Ou alguém aqui sai na rua em pleno carnaval e todos os carros de som estão tocando Elis Regina? No bairro onde moram todos os membros da Academia Brasileira de Letras, talvez.

Sem brincadeiras agora, mas, é realmente necessário essa destruição da boa música?

Acredito que não.

 

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