Arquivo mensal: janeiro 2012

Se falássemos Inglês…

Bonjour, meus queridos!

Como está indo o final de férias de vocês? O meu, simplesmente cansativo. Não consigo parar! Vocês já acessaram o site da Chiq Acessórios, meu mais novo empreendimento? Confiram lá!

Mas não é sobre isso que viemos falar, não é, gente?

Hoje vamos falar do poder de cantar e não entender a música. 

Vocês devem estar se perguntando qual o motivo da foto da Letícia Sabatella aí, mas já respondo. Vamos do princípio.

A grande maioria da nação brasileira, para não dizer a o Brasil inteiro, tem a mania de achar que o que vem de fora é melhor. Isso não é de hoje e não vai mudar amanhã. Que novidade! Mas há vezes em que essa suposta superioridade ariana europeia e norte-americana gera situações… conflitantes e muito engraçadas.

Agora mesmo, estou escrevendo esse post e ouvindo I’m Sexy and I know it, mas até aí, nada demais, afinal, gosto não se discute. O problema é quando o gosto dos outros quer ser imposto à nós subliminarmente. Em novelas, reportagens e, adivinhem só, até campanhas publicitárias em cidades do interior do interior (também conhecidas como Céu Azul, um beijo).

Não sei a porcentagem do povo brasileiro que fala inglês, mas sei que eu falo e muitos dos meus amigos também. E se aproveitando dessa lacuna anglo-saxã em nossa linguagem cotidiana, as novelas – principalmente globais – tentam explorar as músicas importadas num contexto completamente… diferente.

Agora surge a foto da Yvone, interpretada por Sabatella, lá em cima (é junto ou separado?). Caminho das Índias foi uma das poucas novelas que verdadeiramente acompanhei, por uma série de motivos. Quando conheci a personagem de Letícia, foi amor à primeira vista. Sim, eu sei que não é natural um garoto de dezoito anos ser fissurado em mulheres que sabem combinar regatas e saias de cós alto. Mas vamos ao que interessa.

Toda vez que Yvone entrava em cena, o que acontecia? Isso aqui, ó:

Agora eu me pergunto: o que uma música sobre uma A-U-R-É-O-L-A tem a ver com uma mulher que era praticamente o capeta encarnado?

Mas não, não termina aí. Prestem atenção em todo vilão de nova das oito. Das sete, pode ser. Céus, o que acontece com cúpula dessas novelas? Será que os sonoplastas ouvem a música e pensam: Olha, ritmo bonitinho, a gente podia colocar naquela cena em que a vilã dá um tiro na cabeça da mocinha. 

Me expliquem, quero entender. Acho que agora estão tentando se redimir, colocando uma música decente para essas novas vilãs. Pelo que soube, a atual tem uma música que condiz com o seu comportamento transviado.

Mas, céus, pelo amor, eu peço encarecidamente que a próxima vez que forem colocar uma música em inglês em jingles e afins, conheçam a letra. Porque se não, vocês vão passar por uma situação super incômoda que acontece aqui na cidade e só eu percebo: uma loja de roupas anuncia descontos maravilhosos, falando sobre suas marcas e tudo mais. No final da propaganda, que música toca?

The stong understand.

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Eu li: O Soldado da Luz

Pegando emprestada a sinopse feita pelo meu querido Sérgio Carmach, apresento à vocês O Soldado da Luz:

Elden, importante comandante da guarda real, retorna de uma viagem e descobre que Estriges, uma amiga de infância, foi acusada de bruxaria e está presa no castelo aguardando a execução. Na cela, a moça confessa a Elden ter mesmo poderes de magia, mas diz que os usa para o bem. Ela seria uma bruxa da luz e ele, segundo a acusada, um soldado da luz. Mesmo sabendo que será considerado um traidor, Elden a liberta após ter uma visão, na qual homens e bruxos perversos se enfrentam ferozmente. Já a sós com Estriges na floresta, o soldado da luz descobre que é o único com poderes para impedir a volta de Esbat, o mais malévolo e poderoso dos bruxos, exilado em um mundo esquecido há mil anos. Se falhar, os homens serão destruídos. Para cumprir essa missão, Elden precisará achar a espada de Crã e, com ela, matar o herdeiro de Esbat em um ritual. Mas quem seria esse herdeiro? Onde estaria a espada, que também é cobiçada pelos bruxos das trevas? E a aventura para salvar o mundo começa…

UAU, eu sei. O livro foi escrito pelo Thiago Costa Santana, e só peca mesmo pelo tamanho (que eu achei meio pequenino, no alto de suas quase 100 páginas).

Sou apaixonado por literatura fantástica e não escondo isso de ninguém (apesar de O Senhor dos Aneis ainda estar aqui, intocado…), e a sinopse do Sérgio me incentivou a pegar o livro e ler numa tacada só, ainda que o livro seja tão rico em detalhes que uma leitura mais demorada seja quase uma obrigação do leitor atento.

Centrada numa perspectiva de primeira pessoa focada em Elden, o livro conduz com dinamismo – ainda que com bruscas paradas para reflexão, as quais me delonguei um pouco mais do que o necessário – toda a saga pós-libertação de Estriges. Falando nela, o autor está com um projeto super legal de ilustração dos personagens. Saca só:

Estriges. Não ficou linda?!

A minha única crítica de verdade é a falta de atenção com a tipografia da capa. Poxa, uma história tão bacana, com uma centralização medieval tão bem feita, merecia uma fonte melhor. Após a leitura, olhei para a capa e pensei: nossa, tantas outras fontes poderiam ser utilizadas…

Eu sei, não se compra um livro pela capa, mas atire a primeira pedra quem não adora ler um livro com uma capa bem feita.

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O dilema de “Mulheres Ricas”

Comprar um avião é igual comprar uma blusa, hello!

A televisão brasileira tem dado saltos consideráveis em sua programação, sendo esta afirmação inválida apenas no que tange às atrações dominicais. E a mais nova forma de entretenimento foi lançada na última semana pela Band, o programa Mulheres Ricas.

Retratando o cotidiano de algumas senhoras da alta-sociedade brasileira, o programa mostra seus gastos, seus luxos (como dar água mineral francesa para  um cachorrinho maltês), mas, principalmente, sua diferenciação da maior parte de nossa sociedade tupiniquim.

Estive checando o site do programa (além dos comentários em vídeos do YouTube, uma vez que perdi a estreia) e me surpreendi com a completa ignorância da maior parte destes comentários. Os usuários ofendiam a emissora (e as participantes, cumpre ressaltar) por exibir um programa deste tipo, quando crianças carentes padeciam de fome numa rua ao lado da que Val Marchiori (hello!) fazia compras.

E então eu me toquei o que T. Harv Eker ensinou tão brilhantemente em sua obra, Os Segredos da Mente Milionária: 

Pessoas têm a noção pré-concebida de que ricos são maus, de que enriqueceram graças ao trabalho de outras pessoas.

Li o livro há mais de três anos, e esta não é uma citação ipsis literis, mas se amolda perfeitamente ao contexto. A verdade é que, sim, muitas crianças passam fome logo ao lado da Oscar Freire, e muitos vendedores de picolé ainda passam pela frente do Copacabana Palace. Mas isso não desmerece o contexto do programa de maneira alguma.

Nos é televisionado diariamente (sim, diariamente!) a maneira como nossos pequeninos não vão à escola, como nossos avós não conseguem se aposentar e também como alguém tem de sobreviver com esgoto à céu aberto. Mas para isto, basta assistirmos Jornal Nacional, ou qualquer outro. Até mesmo um da Band vale. Mas nada disso parece estar impulsionando pessoas a irem às ruas ajudar essas crianças, idosos ou adultos.

A exibição de um programa que mostra a rotina de uma joalheira, uma arquiteta, uma apresentadora de TV, uma herdeira do petróleo e uma motorista de Fórmula Truck não desmerece (ou diminui) em nada o mérito do programa.

Enquanto isso, todos nós perdemos a oportunidade de lançar um olhar antropólogo-sociológico neste nicho crescente dos milionários (ou bi, em alguns casos). Quisera eu que os brasileiros parassem de observar a riqueza das participantes – inegavelmente inspiradas no norte-americano The Real Housewives – como um fator maléfico da atração enlatada, e passassem a ver o show de maneira a tentar compreender um mundo que, ainda que esteja logo ao lado, é completamente diferente do seu.

Pouco dinheiro não desfaz caráter, assim como muito não desconstrói personalidade. Passemos a ver o dinheiro com bons olhos, sem que a sua acumulação excessiva queira dizer, necessariamente, que o favelado só mora na favela porque o rico é rico. Não é à toa que todo vilão de novela global é rico: as noções brasileiras de dinheiro sendo irremediáveis quanto à personalidade da pessoa que o possui.

Toda forma de discriminação é estúpida. Não sou milionário, e estou longe de sê-lo (mas serei, se Deus quiser!), contudo, diminuir alguém por possuir uma conta bancária polpuda é tão ignorante quanto um rico acreditar que todo pobre vive de vender geladinho.

Agora, façamos o favor de ver o programa sob um espectro saudável da curiosidade, acompanhando a transformação da casa de Débora (pintada numa cor absolutamente tenebrosa) e todos os outros desenrolares deste que tem tudo para ser um dos mais cômicos reality shows já exibidos em nossas TVs.

Como diria Val (insuportável em sua maneira de misturar a língua anglo-saxã com a nossa latina): Hello, Brazil!

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Eu li: Para Sempre Ana

 

Na mística Três Luzes, o leitor percorre inicialmente três momentos afastados no tempo, onde três homens, de três gerações da família Rigotti, experimentam situações-limite pela influência de uma mesma mulher: Ana. A partir daí, a narrativa o leva a uma instigante viagem, nem sempre linear, entre meados do século XX e o início do XXI, na qual os dramas, o passado, o verdadeiro caráter e os segredos de cada personagem são pouco a pouco desnudados. A trama é conduzida pela busca de Ana e pela busca por Ana, forasteira misteriosa que abala os triluzianos e cuja trajetória se funde à dos demais em uma história carregada de luzes e sombras. A busca de Ana arrebata as emoções; a busca por Ana arrebata os sentidos. E ambas surpreendem. Sempre que tudo parece esclarecido, detalhes antes considerados sem importância provocam uma reviravolta geral na história. Até o último capítulo. Descubra se os mais atordoantes segredos de Três Luzes estão mesmo nos céus ou no fundo da alma de seus moradores.

Eu sei! Que livro complexo! Comecei a leitura de Para Sempre Ana, do querido (e advogado!) Sérgio Carmach, pronto para mergulhar em turbilhões emocionais dignos das melhores obras de escritores intimistas. Já havia lido algumas resenhas, e sabia que não iria me decepcionar, até que…

Além de não me decepcionar, me surpreendi. E muito.

O livro é uma daquelas estórias que, ao seu término, faz você se perguntar por que diabos a literatura brasileira não é tão louvada quanto à norte-americana, europeia ou marciana. Personagens bem construídos ditam o tom desta história ágil e cheia de curvas acentuadas que, invariavelmente, conduzem ao âmago do próprio leitor.

Conforme a sinopse acima demonstrou, Carmach constrói aqui uma base de bons personagens que são facilmente identificáveis com tudo o que conhecemos, ainda que estejam repletos daquele tom de “inedito” que somente uma boa obra é capaz de prover.

Termino a resenha com a vontade de que mais e mais pessoas deem a chance a este livro que, sem dúvidas, ficará atado a muitas cabeceiras tupiniquins (e internacionais, prevejo). Vale cada centavo que por ele for pago, bem como as deliciosas conversas que surgirão com amigos que, assim como nós, se apaixonarão pela obra.

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